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A direita, os escândalos e a memória

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A direita portuguesa, órfã de pessoas pouco recomendáveis e sem memória de governos que a desviaram da matriz fundadora, dos programas e do sentido de Estado, prisioneira do ressentimento, e sem rumo, procura nos escândalos o caminho do regresso ao poder.

Confortavelmente instalada no aparelho de Estado, nos órgãos de comunicação social e no poder económico, não tem programa, ideias ou projetos, vive dos cadáveres dos incêndios, das insinuações e dos julgamentos da comunicação social.

Esquece que votou contra o SNS e a despenalização da IVG, e que apoiou a invasão do Iraque. Esquece que Cavaco, Durão Barroso e Portas eram dos seus, que o governador do BP nomeou, por convite, um filho de Durão Barroso para um alto cargo que exigia concurso, que a última ministra das Finanças levou diretamente para um fundo abutre de Londres os conhecimentos do ministério, enquanto mantém o lugar de deputada.

Nunca se preocupou com a falta dos documentos dos submarinos cujos subornos foram provados na …

Momento de poesia

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A minha boca já é um deserto…
A minha boca já é um deserto, porque as palavras fogem e não regressam…
É o buraco negro do meu imenso firmamento que engoliu todas as estrelas contadas nas noites ácidas da solidão…
E é na alegria da sombra de um oásis que as palavras resistem ao esquecimento, esperando o vento, que as liberte…
Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

Jerusalém: cruzadísticos enigmas …

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Desde 1981 que Jerusalém (a cidade antiga) é património da Humanidade. Tal distinção não a tem poupado de três situações: primeiro, pertence ao grupo de património mundial em perigo; depois, sendo uma cidade santa para as 3 religiões monoteístas vive sobressaltada pelos recorrentes conflitos, finalmente, é no presente a centralidade de uma acérrima disputa entre dois povos (judeus e palestinos). Na realidade, um explosivo caldo de culturas (civilizações) e religiões.
Jerusalém tem sido uma cidade historicamente atribulada e repetidamente violentada. Provavelmente foi fundada pelos semitas mais de 2000 anos antes do início da era cristã, mas a tradição religiosa afirma que foi fundada por antepassados do profeta Abraão, elo comum do judaísmo, cristianismo e islamismo. Ora, os semitas são considerados um conjunto de povos com uma raiz linguística comum que sendo originários da Arábia (ou da antiga Mesopotâmia) teriam migrado, dispersado e construído diferentes identidades pelo Médio Or…

Portugal e a descentralização adminastritiva

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A regionalização do País, prevista na CRP, desde 1976, foi inviabilizada pelo referendo de 8 de novembro de 1998, resultante da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, e de um exótico mapa de 9 regiões, apresentado pelo PM, António Guterres.

O desinteresse do eleitorado, com menos de 50% de participação, tornou inconsequente a decisão, mas a dimensão do repúdio, superior a 60%, quer da regionalização, quer do mapa proposto, contra menos de 35% de votos a favor, trucidou a Regionalização do Continente.

É possível que o exemplo do poder autocrático e os desmandos da Região Autónoma da Madeira, onde se temia que um único partido e o mesmo soba se eternizassem, tornasse o eleitorado receoso da Regionalização, que era, e é, imprescindível. Aliás, na Madeira, só o referido soba foi substituído.

Com a regionalização adiada para as calendas gregas, pretende este Governo promover a descentralização, mas o primeiro anúncio foi claramente infeliz. A deslocação para…

COIMBRA - Memórias políticas

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Escândalo 'Raríssimas'

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Parasitas

No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.

Guerra Junqueiro - Freixo de Espada à Cinta, 1850-1923

12 de dezembro de 1976 – As primeiras eleições autárquicas da democracia.

Há 41 anos realizaram-se as primeiras eleições autárquicas, uma das grandes conquistas de Abril.

As comissões administrativas nascidas da vontade popular, em ambiente revolucionário, permitiram desmantelar o aparelho político do fascismo e toda uma estrutura iniciada no ministério do Interior, que nomeava governadores civis, que nomeavam presidentes da Câmara que, por sua vez, designavam presidentes da Junta, que as populações tinham de aceitar. Pouco se tem falado dos cidadãos que deram o seu melhor, sem remuneração ou qualquer outro benefício, na maior parte dois concelhos. Foi um tempo de generosidade e de todas as utopias que terminou com a eleição democrática dos órgãos autárquicos.

As eleições previstas na CRP criaram os primeiros executivos municipais democráticos, após 48 anos de ditadura, pondo fim às comissões administrativas surgidas no fervor do 25 de Abril.

O poder autárquico adquiriu um dinamismo e um entusiasmo que merece ser recordado. Nas aldeias, o saneamento público…