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A influência de La Palice no pensamento político de Passos Coelho

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O turista é a pessoa que viaja para um lugar diferente daquele onde vive por um determinado período de tempo. Se o faz por tempo indeterminado deixa de ser turista, passa a residente e, eventualmente, torna-se imigrante.

O Senhor de La Palice podia ter dito que quem viaja por outro lugar anda em turismo. Terá sido a previsão de trabalhadores sazonais que o impediu de cunhar tão profunda análise. Mas Passos Coelho, inspirado no grande pensador, descobriu que havia turistas em Portugal.

Pensando em meu pensamento...

Passos Coelho não tem de pedir desculpa pela informação errada que um correligionário lhe deu sobre um suicídio inexistente, tem de se envergonhar do plural que anunciou, dos motivos que inventou e do carácter que lhe permitiu usar a tragédia para os objetivos que pretendia.

Pedrógão Grande – Um crime não pode ficar impune

O deputado Maurício Marques, ex-presidente da Câmara Municipal de Penacova, deve ter participado ao Ministério Público a situação referida no último número do Expresso:

(…) «Contou também que a sua filha foi encaminhada para a "estrada da morte", e só se salvou porque passou por debaixo dessa estrada e dirigiu-se para a A13, em vez de seguir o caminho fatal de outros automobilistas.»
A filha do Sr. deputado do PSD, já terá sido chamada a prestar declarações à PJ sobre quem a encaminhou para a fatídica estrada e a epifania que a levou à rejeição que a salvou.

Se foi verdade, urge saber se foi crime; se foi mentira, hipótese improvável, é necessário saber se os comportamentos crapulosos são possíveis em deputados e a que nível desceu a baixeza ética da bancada a que pertence.

A minha ida a Fátima (Crónica de 2001)

21 de dezembro de 2001. Almoço de Natal Novartis --- BU – Oncologia.

Não sei quem teve a ideia do local, se alguém, na esperança de um milagre, pretendia aliviar a alma do fardo dos pecados, ou tão só cumprir o ritual canónico da comunhão fraterna em torno de uma mesa de fartos recursos gastronómicos.

O restaurante Tia Alice, ao lado do cemitério, do outro lado da rua da igreja paroquial onde foram batizados os pastorinhos, instalou-se numa cave onde só recebe fregueses depois do meio-dia. A cave é o local recôndito adequado ao ágape na capital da fé. A gula ignora aí os preceitos religiosos e ninguém tenta encontrar o Céu através do jejum.

Depois do repasto fui ver a capelinha das Aparições onde a Júlia e a Vanda debitavam padres-nossos e ave-marias, iluminando a fé com velas de 150 escudos emprestados pelo Cordeiro Pereira.

À volta da capela mulheres cansadas da vida viajavam a fé progredindo de joelhos a adejar o rosário; outras paravam genufletidas, em êxtase, acompanhadas por cri…

França, Macron e os actuais desafios da Esquerda…

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A decomposição do sistema partidário francês, verificada nas últimas eleições presidenciais e confirmada nas legislativas subsequentes, levanta vários problemas doutrinários e políticos, podendo inclusive questionar o regime (V República). A começar pelo complexo sistema eleitoral que lhe está inerente e não possibilita a expressão de quotas de representatividade de acordo com a dimensão e peso da expressão popular, considerada no seu conjunto.
Em relação ao establishment verifica-se uma abrupta alteração dos contornos das forças político-partidárias no terreno se considerarmos a situação existente há cerca de 1 ano. Tal rutura só foi possível porque o sistema apresenta múltiplas lacunas na representatividade popular e tem como consequência a perda de capacidade para responder às questões que os cidadãos desejam ver resolvidas e decorrem do exercício pleno da cidadania.
Por detrás dessa alteração existem fatores múltiplos e diversificados sendo o mais relevante a ‘deriva financeiris…

Os incêndios, as florestas e algumas circunstâncias…

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Os portugueses perante os trágicos acontecimentos do último fim-de-semana têm a sensação que todos os diagnósticos estão feitos. E que muita da legislação já foi produzida, restando alguma em estado preparatório como é habitual nos processos dinâmicos. Mesmo nas situações infernalmente dinâmicas. Há, contudo, situações com algum melindre institucional, económico, social e cultural.
Pretende-se num ápice – com motivações díspares - reformar tudo, de modo a ‘branquear’ uma arrastada situação que resvalou para o caótico. O rodopio de ‘responsáveis’ por Pedrogão Grande é revelador da aflição e do desnorte. Muito do que foi sendo mostrado exibia uma impositiva chancela de necessidade de mudança que a volumosa carga de acidentes mortais e o avanço na destruição rural (e não só florestal) pelas chamas pressionavam hora a hora.
Apelos à ‘reforma da floresta’, ao emparcelamento rural, à prevenção, à ativação das ZIF’s (Zonas de Intervenção Florestal), à gestão da floresta, etc., pululavam na…

Incêndios

A sofreguidão dos ‘especialistas’, a debitarem opiniões. e dos inquisidores, a exigirem execuções, ultrapassa a dos fogos, que tudo devoram à passagem.