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Trump na ONU

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A prestação de Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas é, aparentemente, má demais para ser verdade. Parece impossível considerado o staff político yankee – com todas as suas nuances – que não exista alguém capaz de pôr cobro a semelhantes desvarios. Suspeitava-se que o Presidente - que o sistema eleitoral americano elegeu - não fosse capaz de definir uma estratégia inteligível e coerente de política externa. Mas a situação é pior. Trump, não só se revela altamente incapacitado para definir um roteiro político para o exterior como, paralelamente, exibe uma mistura de uma intolerável arrogância com uma olímpica insensatez, conduzindo a política internacional para os mais baixos caminhos da provocação. Levantou inquietantes questões: - Que tipo de política se pretende levar a cabo quando publicamente se ameaça um País com a destruição total? link. - Como se pode ignorar que os países limítrofes – entre eles o aliado Coreia do Sul - seriam também duramente afectados? . - E…

As eleições e o futebol

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A proibição de jogos de futebol, em dias de eleições, seria uma medida injusta e decerto contraproducente. A cidadania não se defende por decreto, nem se impõe, por coação, o cumprimento das obrigações cívicas. Por que motivo, aliás, se impediria uma atividade desportiva e se excluiria a missa, a praia ou qualquer outro espetáculo?

Para quem não tem consciência cívica e se alheia da ‘res publica’, não é o futebol que o afasta das urnas, e é duvidoso que o voto obrigatório, diminuindo o nível de abstenções, seja a forma mais adequada à pedagogia da cidadania. Não é levando os eleitores presos pela arreata que se promove a consciência cívica.

É evidente que, no dia das próximas eleições autárquicas, a marcação de um jogo entre duas grandes equipas de futebol, das duas maiores cidades, com numerosos adeptos que vibram apaixonadamente pelos seus clubes, não facilita o cumprimento das obrigações cívicas de quem empreende uma longa viagem.

Há, para os adeptos de uma das equipas, muitas cen…

O cavaquismo, a liberdade de expressão e a cidadania

Quarenta e oito anos de ditadura deixaram marcas que geraram alterações genéticas nos portugueses. A dificuldade em aceitar opiniões alheias é a herança de várias gerações de bufos, rebufos e gente videirinha.

O cavaquismo, caracterizado pela indigência intelectual e a nostalgia do salazarismo, foi o pântano onde sucumbiu a liberdade e o gosto pela discussão política. Esta passou a ser vista, de novo, como a lepra que envenena a paz social e condena o país. O oportunismo e o medo fizeram regredir a dinâmica democrática, a reflexão livre e a coragem cívica.

Hoje confunde-se a divergência política com a aversão pessoal, a opinião com a ofensa, os adversários com os inimigos. O cavaquismo é um salazarismo em liberdade, tendo a incultura como modelo e o retrocesso democrático como meta.

Não conheço na História europeia quem com tamanha mediocridade tivesse chegado tão longe e conseguisse influenciar durante tanto tempo, já não digo o pensamento, por falta dele, mas o seu condicionamento.

O coveiro

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O coveiro que desejou enterrar os adversários, numa sede de vingança que a sua débil formação democrática exigia, não conseguiu abrir uma cova maior do que a sua própria dimensão.

Gula eclesiástica

O curioso caso do testamento da D. Eugénia
Benemérita deixou em 1982 a fortuna à Igreja madeirense, com a condição que fosse utilizada para o auxílio a doentes cancerosos. Durante 30 anos o testamenteiro quis saber se a vontade de Eugénia Bettencourt estava ser cumprida. Morreu no final do ano passado, sem resposta.

MÁRCIO BERENGUER 15 de setembro de 2017, 8:10

Política – Mitos que urge denunciar

Há mitos que sobrevivem pela ausência de reflexão e de espírito crítico e, no entanto, a sua aceitação é demasiado perigosa para o nosso futuro coletivo.

Antes de tratar cada um deles, limito-me a chamar a atenção para as crenças mais comuns e perigosas, a saber:

- Que o crescimento do PIB mundial é eternamente sustentável;

- Que não haverá novas crises do capitalismo (são cíclicas, e não se sabe qual será a última);

- Que se deve trabalhar mais, quando o trabalho é um bem cada vez mais escasso;

- Que a repartição do trabalho e, naturalmente, dos recursos gerados, não são uma obrigação ética e condição de paz;

- Que o Planeta suporta o contínuo aumento populacional que a miséria e as crenças religiosas fomentam;

- Que os recursos alimentares e, em particular a água, escassos para a população que já existe, apesar de se poder e dever moderar o desperdício, são inesgotáveis;

- Que o aquecimento global não põe em risco a vida na Terra;

- Que a guerra nuclear pode ser regional;

- Que a dí…

A Justiça e a delação premiada

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Quem sabe do que as pessoas são capazes sob o medo, das vilezas que o pânico permite e da pusilanimidade que os estados de necessidade induzem, não precisa de recorrer aos períodos de guerra e das ditaduras para perceber a que níveis de abjeção são capazes de descer alguns seres humanos.

A delação é habitualmente premiada, e o bufo é sempre um ser inferiorizado que delata para obter a simpatia que a sua baixa estima exige, o crápula capaz de uma vilania para proveito próprio, o medíocre que espera ser compensado do mérito que lhe mingua pelo favor que espera. A história da pulhice humana é antiga e não se limita aos sistemas que privilegiam a denúncia e a perfídia. São apanágio da Inquisição, do nazismo e de todos os sistemas repressivos, que fomentam o aviltamento do carácter.

O que surpreende é a possibilidade de a delação premiada ser acolhida no ordenamento jurídico de um país civilizado, capaz de transformar um magistrado em chantagista e o delinquente em delator, de produzir um…