BASTA!!!

Com o sóbrio título «Desatino», Vital Moreira alerta no Causa Nossa para o desvario em que os apertos financeiros puseram o eterno presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim.

O Jornal da Madeira, espécie de folha oficiosa do sátrapa local, inclui um artigo do próprio e uma redacção de um apaniguado.

É certo que AJJ se vem queixando de que o Governo da República lhe quer cortar as pernas, não referindo a cabeça, quiçá por ser a parte do corpo que menos usa.

São irrelevantes os insultos a Vital Moreira, tal a frequência com que os dispara contra titulares dos órgãos da soberania, jornalistas e adversários políticos. O que é deveras insuportável é a leviandade com que o professor reformado, que acumula o vencimento com o de Governador, branqueia o desgoverno que a República lhe permitiu.

Quem sempre usou a chantagem como arma contra os Governos da República, para lhe cobrirem os défices, sem o mínimo respeito pelas reiteradas advertências do Tribunal de Contas, não hesita agora em usar de novo o papão do separatismo.

Começa a ser tempo de alguém lhe pedir contas. O Presidente da República, o Sr. Silva na linguagem rude de AJJ, e o primeiro-ministro não podem ceder perante a chantagem e a irresponsabilidade.

Comentários

antipublico disse…
Vital Moreira, respondendo à “encomenda” regular de publicação de ataques à Madeira, estende-se hoje, no Público, sobre a “irresponsabilidade financeira regional”.

É tão pouco surpreendente que nem me alongarei sobre o que está escrito. Limitar-me-ei a listar assuntos não referidos e a colocar algumas questões:

1)Em oposição ao regime financeiro das regiões autónomas, seria interessante uma discussão sobre o regime financeiro das empresas públicas, tais como a CP, a REFER, o Metro, a TAP, a Carris, etc… Logo aí se apurariam irresponsabilidades…

2)Guterres não “deu” 110 milhões à Madeira. Ou melhor. Deu. Também. Por vergonha e de arrasto. Na realidade, deu 110 milhões aos Açores. Depois de Carlos César chegar ao poder, convinha criar condições para que o PS não fosse apeado logo de seguida. Assim, limpou a dívida dos Açores (no seu exacto valor). A Madeira recebeu o mesmo, pois cairia mal qualquer coisa diferente…

3)No referente às obras de Fundo de Coesão (as tais obras de Aeroportos e Portos), co-financiados pelo País e pela Europa, na Madeira, quase tudo se reduziu à ampliação do Aeroporto. Uma ridicularia se pensarmos no TGV e OTA que aí vêm… Nos Açores, a coesão tem dado muito mais. O que é razoável e tem sido aceite, sem problemas, pela Madeira.

4)A tutela das autarquias é do Governo Regional? É o que escreve Vital Moreira. Era bom esclarecer este ponto…

5)O IVA (transferido em função da capitação nacional) acaba por ser uma compensação (fraca) destinada a atenuar (não faz mais do que isso) o nível de vida na RAM, muito mais caro que no Continente. Razões: os transportes. Basta ver que até a DECO, quando faz as suas listas e quadros comparativos de preços e custos de produtos, considera uma base 100 diferente entre a Madeira (e os Açores) do resto do País. O que acaba por "mascarar" este facto...

6)Quanto ao subsídio às viagens aéreas, seria bom uma análise séria à questão. Esse subsídio é uma mentira. Não é mais do que um financiamento encapotado do Governo Central à TAP. Para esta se manter, como empresa estratégica e de referência. Mesmo após o subsídio, uma viagem Lisboa-Madeira é substancialmente mais cara do que viagens muito mais longas para outros destinos. Ou seja, apesar de “pesar” como dinheiro dado aos madeirenses (como escreve Vital Moreira) não lhes chega nada desse subsídio. Os madeirenses pagam pelo serviço valores muito acima dos praticados em rotas semelhantes por outras companhias. E mais acrescento: a rota só não é entregue à concorrência, para manter o tal subsídio… e manter a empresa à tona. À custa dos madeirenses, a quem, não só não chega o subsídio, como não chega uma rota com serviços baratos em consequência da concorrência estar “fechada”.

7)E os impostos (IRC) das empresas com actividade na Madeira e que, sedeadas em Lisboa, aí se colectam? Pois... são verbas de Lisboa... O que prova que é Lisboa vive à custa do resto do País. E não o contrário. Como pretende Vital Moreira.

8)E as receitas de privatizações de empresas, também com “valor” na RAM? São receitas do Continente? Não há justiça nisto. Até porque foi por conta desses valores que Guterres pagou a dívida dos Açores e reduziu a dívida da Madeira. Nada de favores. Apenas o valor devido da quota parte das privatizações.

9)E as receitas de outros impostos, tais como Automóvel, Combustíveis, Tabaco, Selo, Álcool, Jogo?

10)E as receitas e lucros do Euro milhões (que também se joga na Madeira)? Porque são apenas distribuídas no Continente? Em projectos continentais e para entidades continentais. Porquê?

11)E o edifício da Universidade da Madeira? Que é da responsabilidade do Estado, como diz o constitucionalista… Mas que, depois de anos à espera do investimento continental, foi necessário avançar para a sua construção. E quem avançou? O Governo Regional.

12)Quanto às crises e à partilha de sacrifícios, duas coisas: devem pagar as consequências das más políticas quem envereda por elas. E devem ser solidários todos, na mesma medida. Se é preciso cortar 1,2% ao ano, não é correcto cortar, só a alguns, 30%... E sem deixar de continuar a demonstrar que o grande responsável pelo défice (o tal problema gerador destes sacrifícios) não é o GR, nem as autarquias…

13)E, terminando, o PIB madeirense cresceu muito. Quem desvaloriza esse crescimento, apontando para o peso da Zona Franca, não pode, agora, estar a defender a referência a esse valor para atribuir as verbas de coesão nacional… Não é coerente.

PS. Recentemente VM veio atacar os pactos de regime. Que Sócrates deveria avançar sempre só e sem dar cavaco a ninguém. E outros foram dizendo que só assim se defende a democracia e a alternância. As opções de quem é maioria. Onde estaria essa malta quando o PSD e o PP quiseram fazer uma nova Lei de Bases da Educação? Que não avançou, justamente, por falta de consenso alargado, que aí, segundo eles, já se justificava, em função da importância da matéria. Quem decidiu isso? Sampaio, apoiado por toda essa malta… Ou seja, esse raciocínio (de decisão alternada) só se aplica com o PS no poder… ou então, a Justiça e a Segurança Social não são, para eles, matéria importante… que justifique consensos alargados.
e-pá! disse…
Há no arrasoado de AJJ no Jornal da Madeira uma frase com a qual estou plenamente de acordo:
"definitivamente deixem-nos em paz."
A ambivalência desta frase satisfaz-me.
Nada mais!

O resto é lixo político (e também histórico) que há mais de 30 anos fermenta no sentido de esgrimir argumentos (sempre os mesmos) para obter novas e outras benesses orçamentais. E o lixo fermentado é uma podridão!

O problema vivido por AJJ, neste momento, é não ter imaginado chegar ao dia em que, este tipo enviesado de argumentação, deixaria de funcionar.
E esse dia não foi "encomendado", chegou pura e simplesmente. Já todos - para ser comedido - estamos cansados.
Todavia, não deve desesperar, esta situação é recorrente em todos os "dinossauros" políticos e inerente à longevidade do poder.
Anónimo disse…
Disse AJJ ontem: Lisboa vive à conta do resto do País...
Verdades que muitos não gostam de ouvir.
Pelo que, estão a tratar de tentar calá-lo...
Carlos Esperança disse…
Lisboa vive à conta do resto do País...

RE: Aqui está uma falsidade. O PIB gerado em Lisboa e Vale do Tejo é o mais elevado per capita.

Declaração de (des)interesse: Vivo em Coimbra e não tenho nenhum filho em Lisboa.
Anónimo disse…
Independência para a Madeira, já.

AJJ a imperador.
SATANÁS disse…
Não conheço a Confraria que o entronisou ! Deve ser a das "BANANAS COM MERDA" !
Carlos Esperança disse…
Esta foto de AJJ constou do «site» oficial do Governo Regional, já retirada.
Anónimo disse…
Lisboa vive à custa do resto do País. Esse PIB, em grande parte, advem do facto das empresas de ambito nacional estarem ali sedeadas. De ali pagarem impostos. Obtidos pelos negócios em todo o País...
Anónimo disse…
O PIB gerado em Lisboa é o mais elevado, como diz o anónimo anterior e muito bem, porque as empresas a operar no pais teem sede na capital.
Situação injusta, os impostos são pagos em Lisboa e o resto do pais chupa no dedo, no caso do imposto de circulação automóvel é assim, os carros circulam por todo lado e Lisboa é que se amanha com o imposto.

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