SOL


Nasceu hoje um novo semanário.


Não me parece que traga algo de novo.

Os próximos números dirão se é mais do que a edição semanal do «Povo livre», feita por profissionais.

Não podendo o arquitecto Saraiva fazer de Portugal uma monarquia tentará fazer do Governo um lugar para o PSD.

Hão-de julgá-lo os leitores e o mercado encarregar-se-á de lhe ditar o destino.

Comentários

Anónimo disse…
PORTO, 2006.09.16
Concordo, de uma forma geral, com o que foi dito anteriormente. Mas atenção, quanto ao " Hão-de julgá-lo os leitores e o mercado encarregar-se-á de lhe ditar o destino" penso que houve receptividade. O pai do José António era homem da cultura e da literatura. Vamos ver o comportamento do filho...
JS
Anónimo disse…
PORTO, 2006.09.16
Em vez de "com o que foi dito anteriormente" deverá ler-se, " com o que foi dito no texto".
js
el__sniper disse…
O "Sol " é o jornal dos banqueiros.
O "Expresso" do PSD
O "Público" dos grandes distribuidores
el__sniper disse…
São mais graves os resultados de colocação no ensino superior (a redução abrupta de candidatos devido à subida em flecha de reprovações nas globais) do que "o Sol".

Vale a pena pensar nisso
Carlos Esperança disse…
El_Sniper:

E acha que deviam entrar nas universidades os que reprovaram?

Pela primeira vez há uma selecção que dispensa de diploma o analfabetismo.

Apoio a ministra da Educação e o seu programa. Só temo que desista.

Pense nisso.
Arrebenta disse…
A última noite sem Sol

Hoje é uma longa noite de vigília. Amanhã, quando voltarmos a despertar, já haverá dois sóis no horizonte. Um traz a Vida, o outro, a Farsa.

Nós atravessamos um tempo de trevas, e, por detrás do seu alegórico oxímoro, este "Sol" nada mais trará do que mais noite.

Nada, nele, ou em tudo o que o envolve, é novidade ou surpresa. No final do passado 2005, num mesmo dia de dor, espanto e sobressalto, também compreendemos, que, subitamente, num momento crítico de viragem, Portugal tinha decidido enrolar-se, como um feto, em redor do seu próprio umbigo: aquela miraculosa geração intermédia, dos 30, 40 e 50 anos, que deveria ter-se então manifestado, na criação da figura de um Presidente da República para um Novo Milénio, pura e simplesmente, não existia, ou tinha sido estrangulada. Em troca da renovação, apresentavam-nos um prato reputado intragável, Cavaco Silva, e o resto da história já vocês conhecem: o ancião Soares que se presta a fazer-lhe frente, o ressentido Alegre que aparece, para fazer frente à frente da frente, e dois candidatos laterais, que ali foram, medir forças, e acertar décimas, nas contagens de eleitorado.

Nunca o disse, e vou dizê-lo aqui: Cavaco, Soares e Alegre não passavam de três cangalhos, obsoletos, e representantes de um Passado que a minha geração, entre outras, tinha tacitamente considerado como fazendo parte da História, não de qualquer futuro.
Nós, jovens de Portugal, fomos escandalosamente burlados, por uma fatia geracional, responsável por muito do atraso e dos abusos que diariamente presenciamos, e que, afrontosamente, mostrava, preto no branco, que não estava disposta a abandonar os postos de vigia e conservação do Estado de Coisas: o Sistema "renovava-se", voltando, descaradamente, a chamar ao palco os velhos actores empalhados.

A Intoxicação Social, que, grave, e quotidianamente, detectamos estar ao serviço desse mesmo miserável Poder Político, também necessitava agora da sua "renovação". E também a vai ter: chama-se "Sol" e é a Sombra Enorme da miríade de coisas mórbidas que, durante décadas, enformaram esta coisa a que nos confinámos: a estrangulada Cauda da Europa.

O "Sol" nada traz de inovador. Se quiserem uma simples imagem, que possam transmitir aos vossos amigos, ele é uma farta operação de cosmética, que, através do colorido de lápis de cor virtuais, tenta apresentar, como uma banda desenhada renovada, a intragável história parda a que nos reduziram o nosso dia-a-dia nacional.

Há outra coisa que é fundamental que aqui se diga: o Arquitecto Saraiva é um medíocre; mais, ele é o medíocre típico português, o manga-de-alpaca das meias ideias, das palavras fracotas e das iniciativas de curto alcance. É capaz de tudo, e está, novamente, numa posição para ser regiamente pago para poder ser, em plena luz do dia, capaz de tudo.

O Sonho Português sempre passou por castrar os seus melhores talentos, e entregar os lugares de topo a indivíduo dos quais a História não reterá... nada. Como corolário, a pirâmide do medíocre é um lugar volumétrico, cujo vértice é o Medíocre, por antonomásia, e que se vai alargando, na direcção da base, mediante o acrescentar de medíocres ainda mais medíocres, ou de indivíduos cuja desfaçatez e falta de verticalidade permitem servir sob as ordens de alguém que sabem ser profunda, e irremediavelmente... medíocre.

Nós, cidadãos que vivemos outros mundos e outros horizontes, contamos com mais um inimigo no nosso campo. Já desligávamos os noticiários, pelos insuportáveis e manipulados vinte minutos de vómito futebolístico, que, simultaneamente, tentavam apresentar, como empolgante, uma vertente pretensamente desportiva, que toda a gente sabe ser um dos rostos da Actividade Criminosa, em Portugal. Comam-na durante meia hora, mastrubem-se com os "ídolos" por ela criados, esqueçam-se de que, lá para o fim, ou em bandas rotativas de rodapé, estão a desfilar, vertiginosamente, as notícias que vos vão amolgar profundamente o Quotidiano, o Futuro, e, mesmo, a visão de sonhos passados. Esqueçam os jornais: há quem tenha poderes -- sempre os mesmos -- para comprar capas e cadernos inteiros de revistas, reportagens forjadas, branqueamento de personagens e processos, douramento de pílulas inexistentes, venenosas e omnipresentes.

No seu arrancar, a Blogosfera Portuguesa deverá, um dia, ter sonhado com tornar-se o nosso pequeno contributo para a maré informativa do cidadão comum da Aldeia Global: troca imediata de informações, comentários lúcidos, trabalho gratuito, para oferecer a amigos e leitores desconhecidos, um pouco do nosso melhor talento. O que seria o "Braganza Mothers", se pudesse ter, por detrás, todos os dinheiros turvos da Opus Dei...

Felizmente não os temos, e, felizmente, ainda estamos a conseguir escapar a outra maré ainda mais preocupante, a desta roda livre de palavras e murmúrios se estar toda a alinhar, e a importar, para o seu lugar de "graffiti" virtual, a massa inteira dos vícios de forma e relação da nossa Realidade Enferma.

Como conclusão, hoje, curiosamente, Benedito XVI, pessoa sobre a qual todos sabem o que penso, terá citado -- contaram-me -- a figura de alguém que faz parte dos meus heróis, Constantino XI, Paleólogo, o derradeiro lutador pela independência das muralhas de Constantinopla contra os avanços do Infiel Turco. Deverá ter sido a única vez em que Ratzinger e eu teremos abordado o mesmo tema da mesma forma, o que não deixou de me surpreender. Com a morte de João VIII, Paleólogo, o último Constantino ter-se-á ajoelhado, numa célebre pedra de Mistras, e recebido, no Despotado da Acaia, a herança imperial, com a qual se apresentou, duas semanas depois, em 13 de Novembro de 1448, às portas de Constantinopla. O seu reinado foi curto, e durou, como se sabe, até à célebre noite de 30 de Maio de 1453. Com a Queda da Cidade, quase deserta e empobrecida, celebravam-se as exéquias de mais de dois milénios de Luz e Civilização Romanas.

Esta noite, a última noite sem "Sol", é como essa Noite de Mistras. Em conjunto, mais uma vez, vamos ter de partir, para a defesa das últimas muralhas da Luz, e é para essa terrível viagem, como para tantas outras, eventualmente menores, e passadas, que, mais uma vez, vos convido.

Apenas vos menti numa coisa: esta é a última noite, mas já é uma noite com "Sol". Ele está aqui (www.sol.pt). Pedir-vos que resistissem a visitá-lo era um pedido equivalente ao de Eva, feito pelo Criador. Eu sei que são humanos, e transgredirão, porque eu também sou, e também já lá fui.

Coragem.

(Nota, o Basileus citado por Ratzinger é Manuel II, Paleólogo. A incorrecção em nada subverte o sentido do texto)
e-pá! disse…
Para além da desilução (do flop!) que me causou o 1º. número do "Sol", nomeadamente em termos de uma ingénua expectativa que um semanário novo troxesse um jornalismo "moderno"(?), fiquei - logo nas primeiras páginas - com outro carrego às costas:

- A Filomena Mónica ensandeceu?
Carlos Esperança disse…
A Filomena Mónica ensandeceu?

e-pá:

Que se pode esperar de quem vive com o António Barreto?
Anónimo disse…
Em primeiro lugar acho mais importante a discussão sobre o estado calamitoso da educação em Portugal do que o futuro d"O Sol".

Claro que não concordo que se entre na Universidade sem saber o mínimo, contudo se há mais de 70% de reprovações nas globais de matemática e igual número a física, a culpa não é só dos alunos ou dos professores do secundário, mas sim do sistema: ensino facilitista, com orientações de ensino baseada no romantismo da aprendizagem e do tentar e provas globais baseadas no positivismo do saber e exigentes.
Não vou dizer que sou por um ou por outro caminho (embora a votar fosse pelo segundo), mas sou antes de mais pela concordância entre os dois: o sistema de ensino e as provas.

Sou CONTRA a ministra de educação, pois desde já quer meter o SEU sinal na educação com mais reformas programáticas. Esta ministra é fã do eduquês (vulgo escola do ISCTE) e da auto-promoçao.
A educação precisa de ESTABILIDADE e de quem não a use para se promover.

PS_I: O director da DREC foi demitido. As razões? Porque estar a fazer o doutoramento era incompatível com o cargo. Mas desculpem? A ministra acha que somos burros? Ele foi demitido por razões políticas ( e não sou contra o facto), agora arranjar desculpas destas?

PS__II: Qual terá sido a média de entrada do engº Sócrates nos ISEC?
el s.
FONSECA e COSTA disse…
Ah grande "ARREBENTA" !!! Quem fala assim não é gago...embora possa ser vesgo e/ou ter a infelicidade de sofrer de dislexia mental deslizante. Vale a pena uma leitura mais aprofundada e uma análise mais detalhada.Voltarei,porque logo às nove é hora de começar o "pica o boi".
Anónimo disse…
ESTE gajo É MESMO UM PALERMA... SÓ DIZ ASNEIRAS...
Anónimo disse…
REFIRO-ME AO esperança CLARO....
Anónimo disse…
Ó Esperança, já não vinha aqui desde o tempo das últimas eleições autárquicas.
Nessa altura, o Esperança escrevia sobre a iminente vitória do Victor/Vitor. Foi o que se viu...
Agora, faz previsões sobre o futuro do "Sol". Pode fazê-las, mesmo não percebendo nada do assunto, porque vivemos num país livre.
Fique com a sua previsão.
Deixo-lhe a minha: o "Sol" vai ser um sucesso.
(Em breve se verá quem teve razão)

PS - Daqui a ano e meio voltarei a deslocar-me até ao seu blog.
O Bobo disse…
pois o pessoal gosta de novidades e no inicio vai fazer excurssões para comprar o dito até porque ninguem gosta de ser considerado parolo,cá por mim vou fuguir á moda, isto é vou criar a minha e sendo assim não alinho na massificação do gosto.

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