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A mostrar mensagens de 2017

RARÍSSIMAS vezes...

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Raríssimas vezes a mãe de uma criança disforme e deficiente encontra forças para lutar por ele e, com ele, por outros como ele.

Raríssimas vezes a mãe, que trouxe no ventre um feto teratogénico, tem a sabedoria e a arte de conseguir, para a criança, a solidariedade de tantos, a simpatia geral e o apoio da Segurança Social, para fundar uma obra de cuidados modelares para crianças diferentes.

Raríssimas vezes a mágoa e o desespero que marcaram a tragédia de uma mulher foram tão criativos, e tiveram um final tão feliz para as crianças que nasceram diferentes num país que é solidário e tem o SNS que nasceu dos votos do PS, PCP, UDP e do deputado independente Brás Pinto.

Raríssimas vezes uma obra nasce tão bem e passa pelo sobressalto de ter à sua frente a mãe que, perdido o filho, canibalizou a obra para proveito próprio e alegadamente a usa para comprar vestidos caros, viagens mundanas e promover relações que atraem as tias de Cascais e a D. Maria Cavaco (equiparada), a rainha de Espanha…

RARÍSSIMAS originalidades à volta de engenharias financeiro-sociais…

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Muito tem sido escrito, verbalizado e exibido sobre a estranha situação (para não antecipar julgamentos) que se viveu na IPSS Raríssimas (Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras). Não vamos repetir factos, situações, argumentos ou conjeturas. Não vamos chover no molhado… Todavia, poderá ser útil discorrer, ao de leve, sobre duas insólitas situações que recentemente emergiram deste pantanoso caso. A ex-presidente da ‘Raríssimas’, Paula Brito e Costa, apesar das nebulosas circunstâncias em que parece estar envolvida, pretende continuar a exercer as funções de diretora-geral da Instituição. Consultados os Estatutos - registados na Direcção-Geral da Segurança Social a 07.09.2014 - a primeira coisa que salta à vista é a inconformidade desta dupla situação. Ser presidente da Direção e, ao mesmo tempo, responsável técnica. Diz o artº. 19, item 6, desses Estatutos link, que “não é permitido aos membros dos corpos associativos o desempenho simultâneo de mais de um cargo nos órgão…

A direita, os escândalos e a memória

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A direita portuguesa, órfã de pessoas pouco recomendáveis e sem memória de governos que a desviaram da matriz fundadora, dos programas e do sentido de Estado, prisioneira do ressentimento, e sem rumo, procura nos escândalos o caminho do regresso ao poder.

Confortavelmente instalada no aparelho de Estado, nos órgãos de comunicação social e no poder económico, não tem programa, ideias ou projetos, vive dos cadáveres dos incêndios, das insinuações e dos julgamentos da comunicação social.

Esquece que votou contra o SNS e a despenalização da IVG, e que apoiou a invasão do Iraque. Esquece que Cavaco, Durão Barroso e Portas eram dos seus, que o governador do BP nomeou, por convite, um filho de Durão Barroso para um alto cargo que exigia concurso, que a última ministra das Finanças levou diretamente para um fundo abutre de Londres os conhecimentos do ministério, enquanto mantém o lugar de deputada.

Nunca se preocupou com a falta dos documentos dos submarinos cujos subornos foram provados na …

Momento de poesia

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A minha boca já é um deserto…
A minha boca já é um deserto, porque as palavras fogem e não regressam…
É o buraco negro do meu imenso firmamento que engoliu todas as estrelas contadas nas noites ácidas da solidão…
E é na alegria da sombra de um oásis que as palavras resistem ao esquecimento, esperando o vento, que as liberte…
Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

Jerusalém: cruzadísticos enigmas …

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Desde 1981 que Jerusalém (a cidade antiga) é património da Humanidade. Tal distinção não a tem poupado de três situações: primeiro, pertence ao grupo de património mundial em perigo; depois, sendo uma cidade santa para as 3 religiões monoteístas vive sobressaltada pelos recorrentes conflitos, finalmente, é no presente a centralidade de uma acérrima disputa entre dois povos (judeus e palestinos). Na realidade, um explosivo caldo de culturas (civilizações) e religiões.
Jerusalém tem sido uma cidade historicamente atribulada e repetidamente violentada. Provavelmente foi fundada pelos semitas mais de 2000 anos antes do início da era cristã, mas a tradição religiosa afirma que foi fundada por antepassados do profeta Abraão, elo comum do judaísmo, cristianismo e islamismo. Ora, os semitas são considerados um conjunto de povos com uma raiz linguística comum que sendo originários da Arábia (ou da antiga Mesopotâmia) teriam migrado, dispersado e construído diferentes identidades pelo Médio Or…

Portugal e a descentralização adminastritiva

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A regionalização do País, prevista na CRP, desde 1976, foi inviabilizada pelo referendo de 8 de novembro de 1998, resultante da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, e de um exótico mapa de 9 regiões, apresentado pelo PM, António Guterres.

O desinteresse do eleitorado, com menos de 50% de participação, tornou inconsequente a decisão, mas a dimensão do repúdio, superior a 60%, quer da regionalização, quer do mapa proposto, contra menos de 35% de votos a favor, trucidou a Regionalização do Continente.

É possível que o exemplo do poder autocrático e os desmandos da Região Autónoma da Madeira, onde se temia que um único partido e o mesmo soba se eternizassem, tornasse o eleitorado receoso da Regionalização, que era, e é, imprescindível. Aliás, na Madeira, só o referido soba foi substituído.

Com a regionalização adiada para as calendas gregas, pretende este Governo promover a descentralização, mas o primeiro anúncio foi claramente infeliz. A deslocação para…

COIMBRA - Memórias políticas

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Escândalo 'Raríssimas'

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Parasitas

No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.

Guerra Junqueiro - Freixo de Espada à Cinta, 1850-1923

12 de dezembro de 1976 – As primeiras eleições autárquicas da democracia.

Há 41 anos realizaram-se as primeiras eleições autárquicas, uma das grandes conquistas de Abril.

As comissões administrativas nascidas da vontade popular, em ambiente revolucionário, permitiram desmantelar o aparelho político do fascismo e toda uma estrutura iniciada no ministério do Interior, que nomeava governadores civis, que nomeavam presidentes da Câmara que, por sua vez, designavam presidentes da Junta, que as populações tinham de aceitar. Pouco se tem falado dos cidadãos que deram o seu melhor, sem remuneração ou qualquer outro benefício, na maior parte dois concelhos. Foi um tempo de generosidade e de todas as utopias que terminou com a eleição democrática dos órgãos autárquicos.

As eleições previstas na CRP criaram os primeiros executivos municipais democráticos, após 48 anos de ditadura, pondo fim às comissões administrativas surgidas no fervor do 25 de Abril.

O poder autárquico adquiriu um dinamismo e um entusiasmo que merece ser recordado. Nas aldeias, o saneamento público…

Turquia – O fascismo islâmico avança em silêncio

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Denuncio, há muito, o perigo do país onde a laicidade se degradou perante sucessivos atestados de islamita moderado, passados ao líder político pelos regimes democráticos da Europa e pelos EUA.

A escalada na conquista do poder absoluto de Erdogan só foi possível com o incentivo desses países, quando o Irmão muçulmano ganhou democraticamente as eleições, para a decapitação das Forças Armadas e dos Tribunais, guardiões da laicidade.

O assassinato de dois juízes, que subscreveram o acórdão que legitimava a interdição do uso do véu nas Universidades, mereceu de Erdogan palavras públicas de compreensão, em defesa da liberdade, … de usar símbolos religiosos, que a Constituição proibia. Nem aí, sem repúdio pelo assassinato de juízes, houve um sobressalto perante o político que tinha como objetivo combater a laicidade e estimular o fervor islâmico.

A Turquia dispõe do exército mais numeroso da Nato fora dos EUA e do segundo mais poderoso, depois do Reino Unido, com um enorme arsenal nuclear …

Jerusalém e a Assembleia da República (AR)

A maldição da cidade santa de três monoteísmos, que se digladiam entre si, transforma-a num barril de pólvora pronto a explodir à aproximação de qualquer detonador.

O proselitismo religioso e o expansionismo sionista conjugaram-se para dificultar a paz e a convivência entre Estados. O caminho do Paraíso que aí buscam, através de orações e bombas, os muçulmanos, judeus e cristãos, fazem da cidade um Inferno, e da região o húmus onde germina o ódio e o terrorismo.

Para ampliar a tragédia, quiçá para antecipar o Armagedão, faltava o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e o anúncio da transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, decididos por Trump, contra os avisos de líderes mundiais e as sucessivas decisões da ONU, num intolerável atropelo ao direito internacional.

Jerusalém, cidade do Muro das Lamentações, da Basílica do Santo Sepulcro e do Domo da Rocha, que inclui a Mesquita de Al-Aqsa, foi o local de partida de Cristo e Maomé a caminho do Paraíso de …

As religiões não são todas iguais

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Distinguem-se pela idade das devotas

Momento de poesia

Oração poética
Quando se fala de caridade deve falar-se de fé e ideologia e de Isabel Jonet* que trabalha de graça para Deus, embora o Nazareno, sem saber a tabuada, lhe tenha feito uma partida, baralhando o jogo com o milagre da multiplicação dos pães...
Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2017

*Directora do Banco Alimentar Contra a Fome

Twit espanhol humorado e corrosivo

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O asno da semana

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Centeno deve eleição a "Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque"

(Luís Montenegro, anteontem, no programa da TSF "Almoços Grátis")

Portugal em 2018 e a obscuridade das políticas energéticas…

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Depois do ‘chumbo’ da taxa sobre as energias renováveis que precedeu a aprovação do OE2018, e causou mossa no coesão política governativa, começou a gestão política dos danos colaterais. António Costa anunciou em Rabat que vai (continuar) atacar a factura energética a que os portugueses estão sujeitos e as empresas nacionais submetidas link. Ontem, no debate mensal no Parlamento, o Governo - através das declarações do primeiro-ministro - continuou a encanar a perna à rã criando, no seio da maioria parlamentar que sustenta o Governo PS, um ambiente tenso e crispado. Na conceção governamental as rendas só poderão ser alteradas se os beneficiários das mesmas aceitarem, isto é, transformaram-se numa (sagrada) grilheta. Se existisse necessidade de explicitar um modelo de bloqueio negocial este seria um paradigmático exemplo. Corremos o risco de – dentro da lógica empresarial - mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma, isto é, as atuais rendas serem substituídas por garantias co…

A difícil catarse da guerra colonial

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Quarenta e três anos depois da derrota política, militar e moral, Portugal não conseguiu fazer ainda a catarse da tragédia para que a ditadura nos arrastou, nem compreender que, após o fim dos outros impérios coloniais, era insustentável manter a mística de um país ‘do Minho a Timor’.

Juntam-se na mórbida nostalgia do “nosso Ultramar, infelizmente perdido”, a desolação de quem perdeu os bens de uma vida e a vida de familiares, os dramas de um regresso traumático, os saudosistas da ditadura, e quase 500 mil ex-militares que não aceitam que a guerra em que participaram fosse um crime, de um exército de ocupação contra povos coloniais. A síndrome de Estocolmo tornou-se o lenitivo para a dor de uma causa inútil, injusta e criminosa.

Poucos compreendem que o ato heroico do 25 de Abril foi o fim de uma descolonização que começou em Dadrá e Nagar-Aveli e continuou no ato demencial de incendiar o Forte de S. João Batista de Ajudá, para prosseguir em Goa, Damão e Diu, e acabar, fatal e tardia…

Hoje, no 39.º aniversário da Constituição espanhola (6-12-2017)

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A Constituição Espanhola de 1978 foi ratificada em referendo a 6 de dezembro de 1978, sancionada pelo rei a 27 de dezembro e publicada no Boletim Oficial do Estado, 2 dias depois, pondo fim ao período de transição.

A Constituição impôs dissimuladamente o regime que o ditador fascista quis, com o rei que escolheu e educou no fascismo. As sucessivas sondagens, que davam preferência à República sobre a monarquia, como confessou Adolfo Suárez, presidente do governo de Espanha de 1976 a 1981, e primeiro presidente democrático após a ditadura, levou a que a Constituição submetida a referendo levasse uma monarquia dentro.

Existia o receio de afrontar a herança de Franco num país vítima de tão longa ditadura, repressão violenta e forte doutrinação fascista, recordado ainda das centenas de milhares de mortos e vindictas franquistas. Não foi fácil impor a um aparelho de Estado indemne, moldado pela Falange, a Constituição que consagrou o regime pluripartidário.

Na véspera do aniversário, o Sup…

A Universidade de Coimbra e a missa da Imaculada_2

Quando o reitor da Universidade decide convidar os professores, funcionários e alunos para a missa, abdica de ser uma autoridade académica e torna-se o muezim romano que se encarrega de anunciar o momento da oração.

A Universidade de Coimbra e a missa da Imaculada

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A Universidade de Coimbra é capaz do melhor e do pior, de gerar cientistas de elevado mérito e beatos capazes de conduzir a caldeirinha, com o hissope, atrás das saias de um capelão. Tem investigadores notáveis e beatos de rara sofreguidão teófaga, deliciando-se com a missa e hóstia diárias, às vezes os mesmos, assunto que devia ser de natureza particular, e seria de intolerância e mau gosto comentar.

Acontece, porém, que o Magnífico Reitor entende que na Universidade, onde a tradição e os dinheiros públicos mantêm um capelão, deve ser ele e o capelão a convidarem os professores, alunos e funcionários, para a missa de homenagem à padroeira da Universidade – a Imaculada Conceição –, que terá lugar a 8 de dezembro, pelas 12H00, na capela de S. Miguel.

Que o capelão, no exercício das funções, convide os créus a assistir a uma cerimónia da sua religião, compreende-se. Permite, aliás, ver a magnífica capela, uma relíquia da arte sacra, e, no caso dos devotos, venerarem um dos numerosos av…

Mário Centeno e o comentador encartado

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Eurogrupo – Quem venceu (1), quem perdeu (2) e quem fez figura de urso

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Ignoro os que dão uma no cravo e outra na ferradura, por não terem as terminações dos membros posteriores em repouso. Há sempre, numa candidatura, quem saia vencedor e quem saia derrotado.

1 – A vitória de Mário Centeno é, antes de mais, uma vitória que premeia a competência técnica, o percurso académico imaculado e o sucesso pessoal na condução do ministério das Finanças; um sucesso do MNE e da diplomacia portuguesa, em que o próprio PM se empenhou; o êxito do Governo, com os partidos que o viabilizaram, independentemente da maior ou menor aversão de cada um à UE e à moeda única; finalmente, de Portugal, com um candidato de indiscutível qualidade, nesta vitória sem precedentes, e do próprio Eurogrupo, que terá um líder de elevado perfil técnico e manifesta sensibilidade social.

2 – Perdem, na comparação, os anteriores ministros que não conseguiram apresentar um único OE constitucional nem evitaram, em qualquer ano, a necessidade de recorrer a um OE retificativo; o governador do Banc…

Centeno e o Eurogrupo

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A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo tem feito correr muita tinta por cá e ocupado muitos comentadores, a começar pelo Presidente da República. Não se percebe tamanha azáfama. Na verdade, das reuniões deste grupo informal – uma antecâmara do Conselho Europeu - poucas ou nenhumas deliberações saíram que mereçam ser festejadas. O único alívio será a dispensa do Sr. Jeroen Dijsselbloem ao que parece terá sido aí colocado por ser um ministro das Finanças oriundo da família socialista europeia.  Dão-se alvissaras a qualquer cidadão europeu que tenha ouvido da boca deste senhor a mínima ideia correlacionável com a Esquerda. Não é o facto de Mário Centeno ser eleito o ‘camareiro de serviço’ ou, se quisermos, o ‘amanuense de turno’ que vai alterar a natureza deste fórum e o conteúdo das suas recomendações. Enquanto não existe coragem política para extinguir esta anomalia institucional que tenta dissimular a inexistência de uma política monetária e fiscal comum, séria, …

O PSD e o CDS e o dia de hoje – 04-12-2017

Em 4 de dezembro de 1980 faleceram, em Camarate, na queda da aeronave em que seguiam, o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa, e mais cinco acompanhantes.

Volvidos 37 anos, a comunicação social, quase exclusivamente nas mãos desta direita, não dá relevo ao facto, se é que algum órgão o referiu, quando nesse trágico acidente se finaram duas figuras de primeiro plano, que ocupavam altas funções no Estado.

Talvez seja a decadência ética e cívica dos atuais partidos da direita que os faça ignorar a herança dos fundadores que, pelo menos, se bateram pela liberdade de expressão e que deviam o prestígio ao facto de terem afrontado a ditadura.

Talvez a vergonha de terem de comparar Passos Coelho a Sá Carneiro e a Dr.ª Assunção Cristas a Adelino Amaro da Costa (já não digo do fundador Freitas do Amaral, cuja foto foi retirada da sede), iniba o PSD e o CDS de lhes evocar a memória.

Depois de ter ocupado os mais altos cargos do Estado com Cavaco e Pa…

As energias renováveis, o Governo, o BE e o DN

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Não disponho de informação para a apreciação responsável sobre a taxa aos produtores de energias renováveis, cerca de 250 milhões de euros, que o PS se comprometeu com o BE a cobrar, e de que veio a prescindir, quebrando a promessa, na votação do OE-2018.

Fica a dúvida sobre se o recuo do PS se deveu à correção da má avaliação inicial sobre a necessidade de proteger as energias renováveis, à ponderação dos custos de processos judiciais de que o Governo seria alvo (explicação dada pelo PS) ou à mera cedência ao respetivo lóbi.

É difícil avaliar se foi uma decisão cauta que conduziu o PS ao sacrifício político de não honrar o compromisso que, embora ausente do acordo de legislatura, fora assumido para além deste.

Fácil é descobrir a propaganda, que mais parece um anúncio pago do que a notícia sobre o assunto em causa. No DN, de que reproduzo a chamada da capa, lê-se na página 4 que «António Sá da Costa revelou ao DN/Dinheiro Vivo (…): "Dois associados nossos iam investir cem milhõ…

A megalomania de Assunção Cristas

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A galinha poedeira, que queria voar como se fosse águia, é a metáfora da fábula da rã, que queria ser tão forte como um boi.

Sucinto balanço político após a aprovação do Orçamento de Estado...

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O XXI Governo Constitucional – designação que a Direita evita - completou 2 anos de mandato. Estamos a meio de uma legislatura inovadora em termos políticos já que foram derrubadas as peias restritivas construídas à volta de fantasiosos ‘arcos de governação’ ou do ineludível segregacionismo de um círculo de ‘partidos do poder’. O atual Governo viabilizado a partir de posições conjuntas subscritas pelo PS, BE, PCP e PEV, que constituiu o mínimo denominador comum daquilo que se pode catalogar como uma política de Esquerda e tem vindo a cumprir o acordado nomeadamente no campo da reposição de rendimentos e manutenção do controlo da despesa pública o que contrariou todas as previsões catastrofistas da Direita. O novo cavalo de batalha (de Troia?) da Direita é que este acordo ‘esgotou-se’ em 2 anos e daqui para a frente assistiremos, penosamente, à gestão corrente da República, isto é, da ‘coisa pública’.  Na verdade quando se lê os documentos assinados em Novembro de 2015 entre o PS e o …

O feriado do 1.º de Dezembro

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Cavaco e Passos Coelho, por ignorância ou insensibilidade, suprimiram o feriado porque ignoravam que o dia fosse uma data identitária do País que somos.

O DN, de hoje, por imbecilidade da direção, com provas dadas, desconhece que os títulos nobiliárquicos foram abolidos em 1910.

Viva a República!

Notas Soltas – outubro/2017

Notas Soltas – outubro/2017
Turquia – Meral Aksener criou um novo partido, nacionalista e conservador, Iyi Parti. Tem preparação académica, experiência política e não usa véu. Se alargar o seu apoio eleitoral, pode derrotar Erdogan e repor o laicismo e o respeito pelos direitos humanos.
Terrorismo – É impossível impedir os mortíferos atentados do fascismo islâmico sem o apoio de muçulmanos, vigilância robusta, combate ideológico ao totalitarismo religioso e, sobretudo, um combate sem tréguas às fontes de financiamento.
Catalunha – O esforço de Puigdemont, de europeizar o conflito que ameaça a Espanha, não pode ser tratado como caso de polícia, com a conivência judicial, porque é um caso político. O Governo não pode, à maneira franquista, substituir o diálogo pela repressão
Web Summit – O maior evento de tecnologia da Europa expôs o dinamismo de Lisboa para atrair eventos. Com Guterres, Al Gore e outras celebridades, foi possível ver ainda, no ecrã, o célebre físico Stephen Hawking a dar…

Na morte de Belmiro de Azevedo

Pode estranhar-se a lembrança, mas compreende-se o voto de pesar da AR, pela morte do empresário, votado favoravelmente pelo PS, PSD e CDS.

O homem que disse de Marques Mendes que “nem para porteiro da Sonae servia”, que qualificou Cavaco Silva como “ditador” e que afirmou que Marcelo Rebelo de Sousa “tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta”, foi a consciência crítica do PSD que agora lhe devia a autocrítica e a homenagem.

Linguagem e ideologia

Quem se considera democrata não pode condescender com o uso de palavras que, de tão habituais, deixaram de merecer reparo. As palavras tanto servem para exprimir ideias e narrar factos como para ocultar as primeiras e desvirtuar os últimos, ao serviço de uma ideologia.

A condescendência com a designação de Guerra do Ultramar, como referência à Guerra Colonial, ou antigo regime, em substituição de ditadura fascista, revela uma desatenção à reescrita da História. Quem as usa não é inocente, e quem as tolera torna-se cúmplice. É um artifício semântico para branquear a guerra criminosa que a ditadura impôs.

Ultimamente começaram a homenagear-se os “Heróis do Ultramar”, sob a militância da Liga dos Antigos Combatentes e a cumplicidade de sucessivos ministros da Defesa. Não há heróis do ultramar, há vítimas da guerra colonial. Seria, aliás, injusto que nos 14 anos de sofrimento imposto a 510.134 militares portugueses se excluíssem da guerra inútil as vítimas do outro lado, que se bateram pe…

Ninguém pergunta à PGR se há investigações em curso?

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Transcrevo dois parágrafos da Visão n.º 1278, de 31 de agosto a 6 de setembro do ano em curso e deixo a respetiva capa onde nomes sonantes do PSD acompanham um ex-presidente e são alvos de gravíssimas suspeitas:

«Desvio de dinheiros, operações simuladas e concursos públicos viciados, financiamentos ilícitos de campanhas, com faturação de despesas a empresas de fachada para iludir o Tribunal Constitucional, o rol revelado na edição desta semana da VISÃO é extenso. Durante anos, um grupo de empresas, algumas de fachada, tirando partido de influências políticas, sobretudo junto de autarcas e dirigentes do PSD – Marco António Costa, Luis Filipe Menezes, Agostinho Branquinho, Hermínio Loureiro, Virgílio Macedo e Valentim Loureiro –, viciou contratos públicos, ludibriou o Estado, fintou a Justiça e terá ocultado financiamentos proibidos para campanhas eleitorais. Numa grande investigação, que culminou num extenso dossiê de 21 páginas assinado por Miguel Carvalho, a VISÃO revela indícios de…

Vaticano – Ciência, milagres e santidade

Pensava que os milagres, cientificamente comprovados no laboratório do Vaticano, num mínimo de dois, eram provas académicas de acesso à santidade, alinhadas com o mundo profano, onde o primeiro milagre equivaleria ao mestrado e o segundo ao doutoramento.

Pensava ainda, que a canonização, sem numerus clausus, atribuiria o alvará para novos milagres, sendo os dois primeiros as provas de exame no apertado filtro da canonização que, com o defunto ausente, fariam da Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, a Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, com o pseudónimo de Prefeitura.

Compreende-se que os santos precisem de provas para poderem continuar no ramo dos milagres, sendo os primeiros obrados à experiência e os seguintes já com provimento definitivo. Isso justificaria as alegadas exigências postas na comprovação científica dos prodígios pela Congregação oficial para evitar uma exclusão do Livro dos Santos, como sucedeu a S. Guinefort que, apesar de mártir, foi exonerado quand…

Tecnoforma – depois do Tecno-silêncio, o Tecno-esquecimento

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Em 14 de novembro, a jornalista Joana Almeida escreveu que a PGR ponderava reabrir o processo instaurado contra a Tecnoforma, arquivado em setembro por falta de provas que o inquérito da Comissão Europeia encontrou e levou à exigência da devolução de 6.747.462 euros indevidamente atribuídos por Miguel Relvas à empresa então gerida por Passos Coelho.

Imagino o alarido de Assunção Cristas se o caso envolvesse uma celebridade do PS e os uivos que debitaria se fosse alguém do BE ou do PCP. No PSD, as segundas figuras em exercício regougariam impropérios, o próprio Cavaco suspenderia a defunção política, a anunciar um Roteiro dedicado e a destilar o ódio que lhe provoca insónias e passos agitados nas marquises da casa da Travessa do Possolo. A própria PGR já teria serenado os portugueses a anunciar que a ponderação que fizera a levara a reabrir o processo.

A comunicação social teria entrevistado Miguel Relvas, Passos Coelho e o próprio PR, em vez de se excitar com declarações de João Soar…

PSD subsidiário da austeridade e da supressão de subsídios….

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Dentro das medidas preconizadas pelo OE para 2018 foi votada e aprovada uma proposta do PCP determinando o fim dos pagamentos dos subsídios férias e de Natal por duodécimos. Nada de transcendente já uma esmagadora maioria dos trabalhadores assalariados (> de 90%) recebiam estes subsídios por inteiro.
A votação mereceu o apoio das diversas bancadas parlamentares com exceção do PSD link
Interessa perceber porquê.
O pagamento dos subsídios de férias e de Natal foi, durante a governação de Passos Coelho, ‘fatiado’ em duodécimos para camuflar uma drástica diminuição de rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem.
Por outro lado, este rateamento escondia a intenção de ‘eliminar’ o seu pagamento quanto ao futuro. Esta medida da Direita seria um instrumento para, em conjugação com um prolongado congelamento salarial, um ínvio caminho para, na prática e com projeção futura, eliminar liminarmente os subsídios. Representava – sem o nunca ter confessado publicamente – uma medida ‘p…