A França e as eleições legislativas



Um sistema eleitoral desenhado para favorecer a exclusividade da alternância ao PS francês e à direita (republicana e gaulista) conduziu à humilhação da direita tradicional e ao apagamento do PS.

A vitória esmagadora de Macron, alicerçada na sua imagem e na animosidade contra os partidos, tem proporções que levarão à asfixia do movimento, sem tradições e coerência doutrinária.

Não tardará que as contradições internas criem clivagens e que a oposição se torne cada vez mais eficaz nas ruas do que no Parlamento.

A agenda neoliberal de Macron não encontrará na sociedade francesa uma percentagem maior de apoiantes do que de eleitores que lhe garantiram a gigantesca vitória.

Como ponto positivo, fica o europeísmo convicto de Macron, revelado, aliás, no apoio à Grécia, quando a ministra Maria Luís e o homólogo espanhol se prestaram à vergonhosa vassalagem ao Sr.Wolfgang Schäuble, contra um país com a economia devastada.

Do sistema eleitoral francês retiro dois ensinamentos: 1 – Não impede (e não foi o caso), que um partido extremista possa conquistar o poder pela via eleitoral; 2 – Reforça a minha animosidade contra os círculos uninominais, que pervertem a proporcionalidade e condicionam os leitores a votar contra os candidatos que mais detestam, e não a favor dos que mais desejam.

Círculos nominais em Portugal, não. Obrigado.

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