Requiem por Pedro Passos Coelho

O PS e o PSD alternaram a posição de maior partido português desde que se realizaram as primeiras eleições democráticas desta segunda República, e há 32 anos que nenhum deles perdia as eleições autárquicas quando era oposição.

No último domingo, o PSD não se limitou a alterar a regra, foi humilhado de forma que os mais pessimistas, ou otimistas, segundo o quadrante, não se atreviam a prever. E não se pode queixar já de Durão Barroso cuja leveza ética e a cumplicidade na invasão do Iraque são nódoas afrontosas para qualquer partido.

A hecatombe foi mérito de Passos Coelho, apoiado por Cavaco Silva, medíocre PR que quis, ao arrepio da Constituição, conservá-lo no Governo contra a vontade expressa da Assembleia da República. Aliás, o apoio que lhe levou à Universidade de Verão do PSD só podia acrescentar ao desprestígio do próprio o do apoiante.

Antes de ter sido despedido pelos eleitores, através dos resultados autárquicos, já o PSD preparava a substituição. Até os mais fiéis cúmplices se afastaram, limitando-se agora a lançar o boato de que ganhou um lugar na História e é uma grande figura de Estado, no elogio fúnebre de quem os acasos da História e a conivência do ex- PR, elevaram a PM.

Rui Rio, depois de ter apoiado Rui Moreira para a Câmara do Porto, para liquidar Luís Filipe Meneses, no que prestou um bom serviço ao País, e de ter erradicado a influência do PSD no município, como se viu nas últimas eleições, parte do Porto com a ingratidão de Rui Moreira, pusilânime no discurso de vitória, à espera do perdão do PSD e a tentar liderá-lo.

Depois de Passos Coelho seria sempre bom. Aliás, qualquer militante eleito será melhor e fica na situação de Marcelo, excelente PR, que seria sempre bom, depois de suceder a Cavaco Silva. Dificilmente o país suportaria de novo, em simultâneo, tão mau PR e um PM tão impreparado.

É evidente que Rui Rio, cujas qualidades se desconhecem, para além das de autarca, não conseguirá liderar o partido, estando fora da Assembleia da República, se este Governo se mantiver até ao fim do mandato. São mais os anticorpos que o aguardam do que os apoios com que conta, apesar de já ser capa da última Visão. O país começa a estar farto de quem a comunicação social lhe impõe. A imprensa de direita foi incapaz de evitar a derrocada dos seus, apesar dos esforços.

Entretanto, na Rua de S. Caetano à Lapa afiam-se facas e é cedo para imaginar quem é o novo D. Sebastião saído desta direita que progressivamente se radicalizou, sem projeto, sem rumo e sem credibilidade.

Ponte Europa / Sorumbático

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